
Amores a mil
Flamenco febril
Bailado burlesco
Em todas as camas
Em todos os becos
Delícias
Delírios
Doces
Delitos
À meia luz
Entre cetins
À luz do dia
Ao som de clarins
Adorável mundana
Mulher
Profana
Plena
Dona de si

Amores a mil
Flamenco febril
Bailado burlesco
Em todas as camas
Em todos os becos
Delícias
Delírios
Doces
Delitos
À meia luz
Entre cetins
À luz do dia
Ao som de clarins
Adorável mundana
Mulher
Profana
Plena
Dona de si

Insano poeta que derrama sua dores,seus amores
Que verseja sem pudores!
Trovador inconformado,rebeldia desmedida
Voz dos renegados!
Insano poeta maldito
Que destila inconvenientes verdades
Dilacera,rasga o peito
Mas não se cala, jamais se verga
Insano poeta que chora
Que grita aos quatro ventos
Que morre a cada verso
E em seguida renasce!
Liberdade!
Desvairado poeta
Como invejo sua insanidade!

Olhos,fugazes olhos
Mentirosos,cínicos,dissimulados
Deixa-me cega
Com sua luz incandescente
Paradoxo
Luz que vem das trevas
Palavras,dúbias palavras
Não entendo suas metáforas
Perco-me em sua ambiguidade
Não o decifro
Perturba-me,confunde-me
Diverte-se
Pois,então,deixa-me ir
Livra-me das suas amarras
Ou me ilumina...
Meu amor

árvore galhos retorcidos
negros sob o luar
emolduram o uivo do lobo

Planava indolente
Do alto te avistei
Num vôo rasante te alcancei
Enganei o vento
Driblei as primeiras gotas de chuva
Só para ver os teus olhos
Límpidos
Através da vítrea janela
E sorver teu sorriso
Que de tão franco
Fez-se translúcido

Quando cruzei com teus olhos senti-me nula
Po um instante deixei de existir
Respiraste meu ar,roubaste meu chão
Pousaste tuas mãos sobre mim,domaste meu ego,fizeste-me tua
Possuída,entregue,submissa
Irremediavelmente perdida
És meu mundo,morte e vida
És tudo,ao menos por hoje...
Pois não sei com que olhos cruzarei amanhã.

Noir cliché...
Ouvia Back to Black. Ajustava a meia de seda,negra,à cinta-liga.
Olhavá-se no espelho,os cabelos negros,em cascata.Fartos.Assim
como os seios que transbordavam,insinuantes,para fora do soutien,
negro,de renda.Jogou o vestido por cima do corpo,deslizante,quase
colado,negro.Uma fenda que se estendia coxa acima e um decote
generoso.O perfume e o batom,toque final.
O hotel e o quarto.
Tons de cinza transitavam entre o branco e o negro onde as únicas
cores vinham da sua boca vermelha e do azul dos olhos dele. Ele.
Sentado,esperando,sorrindo.E ela caminhou feito diva,ajoelhou sobre
o sofá,agarrou-lhe a nuca e o beijou como nunca. E seus olhos,negros,
fundiram-se no azul e ela o quis,mais uma vez. E saciou-se dele enquanto
a fria pistola esperava,inerte,na pequena bolsa.
My guy...
Ganhou as ruas sem o vermelho da boca que deixara nos lábios dele. E
no quarto do hotel outro tom de vermelho escorria do peito e o azul
permanecia nos olhos,abertos,sem vida.
Back to Black.
A água escorre pelo meu corpo
Está quente,muito quente
O calor me relaxa,conforta
O vapor confunde minhas formas
Penso em nada...
Enxaguo os cabelos,fecho os olhos
Vejo o rosto dele
Nítido,quase pulsante
Num flash,um instante
Luz refletida,imagem contida
Retida,na retina da mente...


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